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Dez perguntas para Aline Prado

Confira uma entrevista exclusiva com a jornalista Aline Prado



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Com mais de dez anos de carreira na área de jornalismo "hard news", Aline Prado, 33 anos, após passagem marcante pelo programa Encontro com Fátima Bernardes, estreia agora como repórter de entretenimento do Vídeo Show, exibido na TV Globo. Aline foi repórter da Globo News. Após sua saída do Canal de Notícias, foi convidada pela apresentadora Fátima Bernardes para integrar a equipe do programa. "Não acreditei quando ela me abordou no corredor da TV Globo. Logo depois me fez o convite. Fiquei em êxtase", conta a repórter com uma alegria contagiante e sem vocação para tristeza. "Sou uma pessoa positiva. Só tenho a agradecer tudo que a vida me dá".

1 - Como surgiu o convite para trabalhar na TV?
Eu era operadora de telemarketing em uma revendedora de carros. Lá, conheci a filha de um dos diretores do Supermercado Guanabara, a Joyce Souza. Ela trabalhava na antiga TVE, atual TV Brasil, no núcleo de multimídia, atualizando o site da emissora. Eu falei para ela que queria um estágio. Ela me indicou para a vaga e três meses depois cavei uma oportunidade no jornalismo. Disse para a chefe do setor que topava trabalhar de graça e se ela gostasse do meu trabalho, me contrataria. Entrei como estagiária, depois virei produtora, apuradora e repórter. Fiquei lá por quase dez anos.

2 - Como foi trabalhar no programa Encontro com Fátima Bernardes?
Foi uma experiência incrível. Eu trabalhava na Globo News, quando fui convidada pela própria apresentadora para começar com ela o programa. Fiquei lá por três anos e vivi momentos marcantes na minha vida. Fui pedida em casamento ao vivo, tive meu casamento transmitido, minha primeira ultrassonografia... brincava dizendo que eles faziam um reality show da minha vida. risos.

3 - Vídeo Show é um programa sobre celebridades. Você se tornou uma pessoa pública: como lida com a fama?
Não me deslumbro. A fama é perigosa. Sou pé no chão, literalmente. Gosto de simplicidade. Dou carinho aos fãs, abraço e fico grata das pessoas virem falar comigo. Sou daquelas que quando gosto do trabalho de alguém, vou ao chefe da pessoa elogiar, mando e-mail para empresa e tudo. Abordo o gari para agradecer pela rua limpa; o caixa de supermercado, o garçom... para falar do atendimento prestativo. Isso as valoriza profissionalmente. Se as pessoas fazem o mesmo comigo, percebo que estou realizando bem o meu trabalho. E isso me faz querer melhorar cada dia mais.

4 - Pretende um dia ter seu próprio programa, ser apresentadora?
A vida me tem sido generosa. Eu comecei no jornalismo e não imaginava ir para o entretenimento. Estou amando esse percurso. Mas não acho que cheguei ao fim do caminho. Tenho procurado me qualificar para que se a vida me der um presente como esse eu esteja apta a fazer bem.

5 - Você é muito crítica? Como avalia a sua participação na TV?
Sou sim muito crítica. Assisto às minhas matérias pensando no que poderia ter melhorado. Acho que venho amadurecendo. Mas estou longe de me sentir na zona de conforto. Aliás, quero manter distância dela. Sou bicho inquieto. Quero crescer, me reinventar. Mergulhar no que não conheço e viver intensamente cada momento.

6 - O seu esposo não é negro, o que você acha do relacionamento inter-racial. Vocês já sofreram preconceito?
Sofre preconceito aquele que pratica. Eu passo por cima dele. Claro que já sofri, mas hoje não admito isso e encaro de frente. Não me apaixonei pela cor do meu marido. Me apaixonei pelo cheiro dele, pela coragem de encarar as circunstâncias da vida , pelo sorriso... me apaixonei quando ele nasceu como pai e nunca deixo de me apaixonar a cada dia. Coisa de pele e coração, não de melanina.

7 - Acha que o negro tem o espaço que merece na TV?
Longe disso. Canso de olhar ao redor e ver que sou a única a ocupar certos espaços. É engraçado que quando encontramos nossos pares, torcemos para que cresçam e vibramos com cada vitória. Não é fácil. Mas vejo como essa situação tem melhorado - aos poucos, mas tem. Só de ver que os negros não fazem mais apenas papel de empregados ou escravos e já viraram protagonistas; ou de vê-los no Jornal Nacional... me dá um superorgulho e otimismo.

8 - Como você lida com assuntos como racismo e preconceito?
Estudei durante um tempo em colégio particular e era a única negra na sala de aula. As meninas me chamavam de macaca e me excluíam das brincadeiras. Quando completei a maioridade, tentei emprego como vendedora no shopping. Fui acompanhada de uma colega loira. Ela foi chamada para sete lojas e eu, que tinha o currículo mais qualificado que o dela, para nenhuma. No início da minha carreira como jornalista, tive uma chefe que me chamava de neguinha - de maneira pejorativa. Ela nunca me dava oportunidade de crescer e me tratava como mucama. Eu me fechava. Tinha vergonha de ser negra. Era uma época diferente, que não se discutia o racismo da mesma maneira que hoje. Aprendi a lidar com o preconceito. Me orgulho de quem sou. Se sinto qualquer atitude preconceituosa, me imponho. Se percebo com outros, faço o mesmo.

9 - Alguma vez já se rejeitou - ou sentiu-se rejeitada - por causa da cor da pele ou do cabelo?
Sim, claro. Porém, aprendi a lidar com isso. Eu cresci em um país com poucos produtos voltados para meu tipo de cabelo e tom de pele. Percebo mais orgulho do cabelo crespo, dessa cor linda, das roupas coloridas de matriz africana... Lembro da minha adolescência. Eu era assinante de uma revista de beleza que nunca tinha estampado um negro na capa. Eu queria dicas de beleza, mas não me sentia representada. Aí lançou em 1996 a Revista Raça e corri para comprar o primeiro exemplar. Eu era uma menina em busca de identidade. Virei leitora assídua. Aprendi a lidar melhor com questões raciais. Minha autoestima elevou de imediato. Devo muito a essa revista.

10 - Você acha que o negro tem o espaço que merece e lhe é de direito?
Ainda não. Li numa pesquisa divulgada este ano pela Folha, dizendo que apenas 18% das posições de destaque no país eram ocupadas por negros, sendo que 60% dos brasileiros são afrodescendentes. Mas essa é uma questão mais abrangente. Se o governo investir em educação de qualidade e inclusão social, conseguiremos avançar mais rapidamente. A luta não é somente racial. E sim por uma sociedade mais justa e igualitária.



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